quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Policiais civis presos por envolvimento com PCC em São Paulo.



Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/520256/ex-investigadores-da-dise-sao-presos-em-operacao-do-gaeco



Ex-investigadores da Dise são presos em operação do Gaeco

Megaoperação iniciada na terça-feira chegou aos policiais. Um está foragido


Marcos Roberto Munhoz está foragido - DIVULGAÇÃO


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Adriane Mendesadriane.mendes@jcruzeiro.com.br


Na sequência da operação desencadeada terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e Polícia Militar para desmantelar a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Sorocaba, três policiais civis foram presos ontem e um está foragido. Eles, todos investigadores, são acusados de formação de quadrilha, concussão (ato pelo qual funcionário público exige vantagem em razão do cargo que exerce), artigo 10 da Lei de Interceptação Telefônica, que visa sobre divulgar medidas sigilosas, tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico. De acordo com o promotor público do Gaeco, Cláudio Bonadia de Souza, os indícios contra os investigadores referem-se ao período em que todos trabalhavam na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Sorocaba, de onde teriam saído em setembro para atuar em outras unidades da cidade. Os presos são Fernando Toshiyuki Fujino, 32 anos, de Sarapuí, Carlos Moroni Filho, 43, de São Paulo, e Willian Felipe Martins Soares, 33 anos, de Sorocaba. O investigador foragido é Marcos Roberto Munhoz, 40, de Piedade. A Polícia Civil informou que vai se manifestar apenas na terça-feira, no retorno do delegado seccional, atualmente em férias.


Em entrevista coletiva concedida ontem à tarde na sede do Gaeco, o promotor Cláudio Bonadia disse, em companhia do coronel César Augusto Luciano Franco Morelli, comandante do Policiamento do Interior (CPI/7), que as informações sobre os ex-investigadores da Dise surgiram ainda na noite de terça-feira, no decorrer dos trabalhos de prisões dos integrantes da facção criminosa. Ele, no entanto, não admitiu que as denúncias tivessem partido dos presos, limitando-se a dizer apenas que os indícios teriam surgido por meio de alguns diálogos entre os membros da facção e os ex-investigadores da Dise, dando conta de que os policiais deixavam de agir dentro da lei. Genericamente falando, os policiais civis acusados, de acordo com o que vem sendo apurado, extorquiam os integrantes do PCC, além de lhes passarem informações sigilosas quanto aos trabalhos investigativos policiais. Entretanto, o promotor prefere apontá-los como "investigados" e não acusados.


O promotor também fez questão de frisar que as prisões feitas na terça-feira tinham o objetivo apenas de desarticular a cúpula da maior facção paulista, e que as prisões dos investigadores foram uma decorrência desse trabalho, não significando que eles tivessem envolvimento direto com a facção. Os mandados de busca e prisão solicitados ainda na noite de terça-feira foram cumpridos ontem pela manhã por policiais militares da Força Tática e apoio da Polícia Civil, por meio da Corregedoria da instituição. Fernando Toshiyuki Fujino e Carlos Moroni Filho foram detidos no Plantão Sul, e segundo informações não oficiais, os dois estariam em serviço no plantão policial quando foram informados sobre as prisões. Já Willian Felipe Martins Soares foi preso em sua casa, na Vila Santana. A abordagem era feita pelos policiais militares, mas a condução dos presos até o Gaeco era feito em viaturas da Corregedoria da Polícia Civil, para onde eles foram levados posteriormente, antes de serem encaminhados para o presídio da Polícia Civil, em São Paulo.


Uma equipe da Força Tática foi deslocada para Piedade, mas não localizou Marcos Roberto Munhoz, que agora é considerado foragido pela Justiça. Atualmente, o investigador Moroni atuava no 3º Distrito Policial e Willian no 8º DP. Ainda de acordo com o promotor, como os crimes teriam ocorrido enquanto os investigadores trabalhavam na Dise, os delegados da unidade especializada serão chamados para depoimentos na condição de testemunhas. Tanto Cláudio Bonadia como o coronel Morelli disseram que as investigações continuam, lembrando que faltam ainda cumprir quatro mandados de prisão no processo contra à facção criminosa, e também uma do investigador Marcos. Ao todo, a operação soma 31 mandados expedidos, dos quais 23 foram cumpridos na terça-feira, e três ontem, além da apreensão de dois adolescentes por ato infracional de tráfico, em Tatuí, na terça-feira.


Também durante a coletiva, o promotor Cláudio Bonadia reforçou que a operação conjunta entre Gaeco e Polícia Militar não envolveu a Polícia Civil pelo fato de que as investigações tinham se iniciado, no semestre passado, no âmbito militar. Ontem, ninguém da Polícia Civil de Sorocaba se manifestou sobre as prisões dos investigadores, e de acordo com informações vindas do Departamento da Polícia Judiciária do Interior (Deinter-7), o delegado seccional Marcelo Carriel deverá se manifestar a respeito na terça-feira, ao retornar das férias. A situação da falta de segurança na cadeia desativada de São Roque, atual unidade de transferência para presos temporários enquanto não são expedidas as prisões preventivas, também foi comentada pelo promotor do Gaeco e pelo comandante do CPI/7. Cláudio Bonadia disse que por ora quem toma conta da cadeia é o diretor, e que cabe a ele requerer apoio para manter a segurança e tomar as providências cabíveis.


O comandante do CPI/7, coronel Morelli, disse que a Polícia Militar daquela cidade estaria dando apoio. A antiga cadeia foi desativada no primeiro semestre desse ano, e desde então tem funcionado como unidade de transferência. Isso porque nenhum Centro de Detenção Provisória (CDP) recebe presos temporários, apenas preventivos e em situação de flagrante. Nos finais de semana porém, todos presos em flagrante da região de Sorocaba, que compõe mais 17 municípios, são enviados para São Roque e na segunda-feira retornam para passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), para só então entrarem nas unidades regidas pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).


desarticulado


A cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Sorocaba foi desarticulada terça-feira numa operação conjunta entre o Gaeco e a Polícia Militar, resultando na prisão de 23 pessoas, das quais uma foi liberada posteriormente. Ainda na noite de terça-feira, após o término da coletiva de imprensa, mais dois mandados foram cumpridos na Grande São Paulo, especificamente em Carapicuíba e Vargem Grande. Das prisões feitas, as mais relevantes foram as de Cláudio Eduardo Branco, 24 anos, o Richard ou Branco, e de Paulo César Dutra Gabrir, de 25 anos de idade.


O primeiro foi identificado como sendo o "sintonia geral 15", cuja função é a de ordenar as ações a serem feitas em sua área de abrangência, enquanto Paulo César Gabrir seria o "disciplina", ou seja, quem determina as penas aos membros que desrespeitam o estatuto da facção, e também aos desafetos.

Ontem, o promotor Cláudio Bonadia destacou que para ele "tanto os crimes de ontem (terça-feira) como os de hoje (ontem) são gravíssimos, são crimes hediondos", afirmando assim não haver como classificar um caso ou outro como o mais grave. Já o coronel Morelli disse que o resultado da operação, que entre os dois dias contou com o apoio de 130 policiais militares, foi positivo. Porém, quanto ao fato da região estar livre do PCC, o comandante respondeu que "a facção é muito dinâmica, mas podemos afirmar sim que houve uma recuada muito importante".


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