domingo, 9 de julho de 2017

Proibidos, microcelulares dobram número de apreensões em um presídio paulista.


Fonte: O Liberal



Proibidos, microcelulares dobram número de apreensões em presídio
Em Americana, visitantes de presos têm sido flagradas com aparelhos que medem entre 6 e 8 cm em partes íntimas
Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal

Diretor do CDP de Americana, Heber Anaor Janei, atribui o crescimento das apreensões à chegada no mercado nacional dos microcelulares

O número de celulares apreendidos no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana já dobrou em 2017 em relação ao ano anterior. Em todo o ano passado foram recolhidos cinco aparelhos. Neste ano, até o dia 2 deste mês, o total chegava a dez. Sete deles foram apreendidos com cinco mulheres de presos que tentaram entrar na unidade com os celulares escondidos nas partes íntimas.




O diretor do CDP de Americana, Heber Anaor Janei, atribui o crescimento das apreensões à chegada no mercado nacional dos microcelulares. Os aparelhos, que chegam a medir de seis a oito centímetros – quase a metade do tamanho de um celular tradicional – tiveram a comercialização proibida pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em maio.

Originários principalmente da China, os microcelulares não são homologados pelo órgão que regula a telefonia no País. Na época, a Anatel pediu para que um site de vendas retirasse anúncios dos aparelhos, que funcionam apenas para enviar mensagens e fazer ligações e custam de R$ 100 a R$ 200.


Foto: Divulgação - SAP

Em tamanho real nas fotos ao lado, os microcelulares têm funções simples, mas muito úteis para presidiários mensagens e ligações
“O tamanho reduzido, portanto, fácil de esconder, e sua fabricação quase na totalidade em plástico, dificulta os detectores de metais apontarem sua presença. Isso contribui para o aumento das tentativas e apreensões, exigindo toda a atenção e percepção na revista mecânica e manual”, explicou o diretor do CDP de Americana.

Para identificar o que às vezes passa batido pela tecnologia, os agentes precisam ser observadores, segundo Heber. “Muitas vezes, o próprio nervosismo e comportamento das visitantes chamam a atenção do corpo funcional no momento das revistas”, contou.

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APREENSÕES. Além dos aparelhos apreendidos com mulheres de presos, agentes penitenciários já encontraram um celular dentro de uma sacola de alimentos destinada a um detento. Outro estava escondido e dividido em três maços de cigarros. E houve até um caso em que o aparelho foi enviado via Correio entre materiais de higiene pessoal e vestuário.

Neste ano, sete mulheres foram detidas ao tentar entrar com celular no CDP de Americana. Cinco delas estavam cadastradas no rol de visitas dos detentos como companheira, irmã e mãe. Flagradas, policiais militares conduziram as mulheres à CPJ (Central de Polícia Judiciária), que foram liberadas após ser feito um boletim de ocorrência.

TECNOLOGIA. Além das revistas nos visitantes, agentes penitenciários realizam, periodicamente, buscas nas áreas de convívio dos presos e nas celas. O objetivo é localizar além de objetos não permitidos, compartimentos falsos, túneis ou qualquer outra forma de ocultar alguma irregularidade, afirmou o diretor do CDP de Americana.

“Acreditamos também que com a instalação de aparelhos de inspeção corporal, o body scanner, será possível realizar as revistas em visitantes a partir das imagens geradas pelo equipamento, identificando possíveis ilícitos, como droga e aparelhos de telefonia celular de maneira mais rápida e eficiente”, declarou.

A SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária) planeja instalar 165 scanners em 126 presídios do Estado de São Paulo, incluindo o CDP de Americana, que assim como as demais unidades já conta com aparelhos de raio-X e detectores de metal, obrigatórios para o funcionamento.

A instalação do scanner vai possibilitar a inspeção do visitante vestido e sem a necessidade de contato físico. O edital de licitação para contratação de empresa para instalar o aparelho, bem como capacitar os funcionários, foi publicado no dia 23 de junho.

Foto: Divulgação - SAP

Em maio deste ano, a Anatel determinou a retirada imediata de anúncios de microcelulares que estavam à venda no site Mercado Livre
Penas para quem é flagrado são leves
De acordo com a legislação, quem é flagrado tentando entrar com celular pode responder criminalmente por “ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico, sem autorização legal, em estabelecimento prisional”.

A pena prevista, caso haja processo e condenação, é de três meses a um ano de detenção.

Administrativamente, a visitante surpreendida tentando entrar com telefone celular, seus componentes ou acessórios, tem a autorização de entrada em qualquer unidade prisional do Estado de São Paulo suspensa por dois anos, ou cinco anos, se reincidente.

Já o detento que receberia o aparelho responde pela prática de falta de natureza grave. No caso de apurado a cumplicidade do preso, e constatada a falta grave, este pode ter seus direitos suspensos ou restritos; ser isolado na própria cela ou em local adequado; e incluso no regime disciplinar diferenciado.

TENTATIVAS FRUSTRADAS
Pelo menos 8 mulheres foram flagradas em CDP

14.jan
Manicure é pega tentando levar celular, carregador e chip para unidade

26.jan
Agentes encontram circuito e cabo de celular na sola de um tênis

4.fev
Agentes flagram celular desmontado em meio a maços de cigarros

5.mar
Mulher de 24 anos é pega com celular na vagina ao visitar o irmão

16.abr
Duas mulheres tentaram entrar com um celular dentro de uma bolsa

11.jun
Microcelular é encontrado escondido com mulher ao passar em detectores

17.jun
Revista encontra dois microcelulares em partes íntimas de mulher

2.jul
Mulher é detida com dois microcelulares nas partes íntimas no CDP

3 comentários:

  1. Essa tiriça empraguejou o sistema penitenciário do mundo todo, a única solução é bloqueadores em todas unidades mas os desgovernadores não querem bater se frente com o crime.deixa inchar...uma nação corrupta merece suas escolhas.

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  2. Enquanto não houver uma punição mais rigida de quem tenta entrar com celular, isso só tende a piorar

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